A aquisição da tão sonhada casa
nova, o carro novo, as roupas da última moda, as férias no exterior, todos
esses motivos, dentre outros, que nos levam ao sentimento de satisfação fazendo
com que possamos nos sentir bem momentaneamente.
Tudo isso poderia ser somente
motivo de alegria, a não ser por uma única razão: o descontrole financeiro.
O que ocorre é a falta de hábito
de planejarmos antecipadamente para o que vamos consumir, somado ao
impulsionismo e a sensação de satisfação momentânea.
O mercado vem oferecendo todo
tipo de produto ou serviço, tanto que as ofertas oferecidas são bem tentadoras.
São carros anunciados nos mais
variados meios de comunicação em que constam parcelas pequenas com
financiamentos longos, ou seja, financiamentos de 60 meses.
Enquanto aos imóveis, esses
apresentam valores de parcelas que se amoldam perfeitamente ao nosso bolso, no
entanto, o prazo para pagamento pode chegar a 35 anos (420 meses).
Infelizmente, quando se trata de
compras que envolvem alto investimento, os consumidores não costumam dar tanta
importância ao valor final do produto ou serviço que está sendo pago. A
importância limita-se tão somente ao valor da parcela.
A situação piora ainda mais pois
não é observado o que pode ocorrer durante esse período em que o contrato está
sendo cumprido.
Dentro do período do
financiamento, novas dívidas se fazem, aquele carro que era o melhor do ano e
foi financiado em 60 meses acaba perdendo o seu valor de mercado e começa o
remorso de não estar valendo tanto a pena pagar por um veículo que atualmente
está defasado.
Devido a facilidade de oferta de
crédito oferecida pelos bancos, como empréstimos dos mais variados tipos,
cheque especial, financiamento habitacional, financiamento de veículos e
inúmeros outros serviços dos bancos, o cliente acaba sendo persuadido a gastar
além do que realmente tem.
No momento em que começa a gastar
mais do que realmente se ganha, o quadro vem a se agravar ainda mais, necessitando
que tenha bastante disciplina para reverter o problema.
O grande erro é pensar que assumindo
um novo empréstimo o valor proveniente será utilizado para pagar o antigo
empréstimo.
Eu digo grande erro porque na
maioria dos casos o novo empréstimo assumido acaba sendo desvantajoso para o
consumidor.
O pensamento é bem simples: se eu
não estava dando conta de pagar o empréstimo antigo, será que um novo
empréstimo será mais vantajoso para mim?
Eu posso lhe afirmar que em algum
lugar você sairá perdendo! Pode ser tanto no valor da parcela ou então na
quantidade de prestações.
Não adianta pensar que um novo
empréstimo irá ser mais benéfico, pois isso é pura enganação.
O lucro dos bancos são provenientes dos juros, portanto,
quanto mais você alongar uma dívida para pagamento, mais estará remunerando as
instituições financeiras.
O que tem de ser feito é, antes de realizar a dívida,
colocar na ponta do lápis se essa dívida é realmente necessária e se haverá
disciplina da sua parte em não assumir um novo compromisso enquanto este não
for liquidado.
É realmente necessário prestar atenção principalmente no
Custo Efetivo Total da operação, a quantidade de parcelas que estão sendo
fixadas e as tarifas cobradas. Isso tudo influenciará diretamente no valor
total da operação.
A falta de observância desses aspectos no momento em que se fecha
um contrato pode vir a gerar muita dor de cabeça futuramente.
Digo isso porque nunca se sabe o que pode ocorrer no futuro.
O que se sabe é que na hora de fechar o contrato as
vantagens parecem inúmeras, oferecem os melhores e mais caros produtos para
você. Mas na hora da rescisão do contrato em face de uma dificuldade
financeira, por exemplo, a situação muda de figura. Simplesmente ignoram o
valor que havia sido pago e retém o valor sob a justificativa de multa pela
rescisão contratual.
Quando isso acontece, não haverá alternativa a não ser
renegociar com o banco ou então contratar um advogado para defender os
interesses do contratante.
Devido a isso, meus caros, o melhor a ser feito é uma
pesquisa de mercado e um bom planejamento financeiro de quanto tempo passaremos
pagando a dívida. Isso tudo para não corrermos o risco de figurar como
inadimplente.
Lembre-se que o Brasil apresenta uma das mais altas taxas de
juros em comparação a outros países, e um atraso na parcela pode vir a gerar
uma multa pelo atraso, juros e demais encargos financeiros vindo a onerar ainda
mais o valor final pago no contrato.
Portanto, fiquem de
olhos atentos para não se atolarem em dívidas.
